Para Profissões

Declaração à engenheira civil

(nome),

quando eu avistei-lhe pela primeira vez inspecionando uma obra, vestida com galochas amarelas do mesmo tom daquele capacete horroroso, juro que tremi, sentindo minhas estruturas se abalarem, logo eu que me julgava um ser inabalável, mais sólido que os alicerces de uma ponte gigantesca.
Não conseguia compreender como alguém aparentemente tão frágil e delicada como você podia freqüentar com tanta desenvoltura aquele ambiente hostil, feito de poeiras de cal e cimento, cacos de tijolos e vidro, lama e suores.
Mas você estava tão à vontade e senhora de si, orientando e falando com homens rudes que davam, cada um, o dobro do seu tamanho, que eu fiquei ainda mais admirado das suas capacidades. E, toda aquela autoridade era exercida sem que você erguesse a voz ou fizesse qualquer gesto mais brusco ou ríspido.
Meu coração disparou, parecia um furadeira pneumática. Minha cabeça, então, girava mais depressa que uma betoneira descontrolada, e as minhas mãos tremiam mais do que aquele andaime dependurado no vigésimo andar. Sei que você adora cálculo, que acredita na exatidão das coisas, mas para ser exato eu não consigo descrever exatamente o que eu sentia naquele momento e, nesse caso, eu só posso concluir que era exatamente AMOR o que eu sentia. Deu pra entender? Então tá bom, era exatamente isso o que eu queria dizer...
Explicando melhor, quero que você saiba que o que eu estava sentindo é, na Língua Portuguesa, um substantivo abstrato, mas para mim não há nada mais concreto no mundo do que essa minha vontade de te ver de novo.
Não venha me dizer que o seu cronograma está com atrasos ou que o seu coração foi impermeabilizado anteontem, e vê se me telefona, por favor.

Um beijo,
(assinatura)