Para Profissões

Ao Engenheiro Eletricista

Meu querido (nome),

quando você entrou no meu circuito, surgido assim do nada, feito um próton desgarrado, quem entrou em curto-circuito fui eu. Desde o primeiro olhar que trocamos rolou uma tensão diferente, forte, uma corrente contínua que me deixou carregada de desejo de não mais tirar os olhos de você.
Senti que você podia ser perigoso, mudar o andamento da minha rotina, que até então funcionava em baixa tensão. Mas, conhece aquela história de que experiência não pode ser transferida, apenas adquirida? Sabe que não adianta tentar explicar a uma criança qual é a sensação de levar um choque, até que ela resolva colocar o dedinho na tomada? Pois é, não deu outra! Quando eu conheci você levei um 220V daqueles, tanto que agora o ritmo do meu coração já não é medido em batimentos por minuto, mas em ampères por segundo!
Sabe, dessa vez Cupido exagerou (ou pelo menos está mais moderno), pois parece que ele ligou um interruptor qualquer que não pára de enviar flechinhas de luz bem em minha direção.
Olha, não sei que instalação você conseguiu fazer em mim. Só sei que esta sua habilidade acaba por me permitir experimentar estranhos e deliciosos fenômenos. Por exemplo: quando você se aproxima, sinto minha pele toda arrepiar-se; é isto que chamam de estática? Estranho, né?
E é assim: depois que você apareceu, brilhante como uma lâmpada para iluminar os meus passos, sinto que mudei para melhor, muito melhor. Sinto-me com mais energia, como se o meu corpo, ao ser friccionado, batido, aquecido ou comprimido, passasse a atrair o seu, repelindo-o e atraindo-o novamente, até gerar e expelir centelhas! Desculpe, querido, me empolguei!
Meu lindo engenheiro, fique com um beijo grande e "tomada" que tudo continue dando certo entre nós.

Da sua,
(assinatura)